Dois grandes filósofos, dois pré-socráticos. Enquanto um defende que o mundo é um Continuum, um puro devir, tudo é continuidade, tudo é fluxo, tudo muda, que "a imutabilidade é uma ilusão", o outro, defendia o mundo, o SER das coisas, como UNO, infinito, imutável, isso significando que tudo é fixo, tudo é sempre idêntico a si mesmo, que nada muda. E agora eu lhe pergunto, estas ideias são Opostas ou Contraditórias? Eis a questão sobre estes dois ícones da filosofia grega, Heráclito e Parmênides.
Um pouco complicado? Parece que é, mas não tanto! Vamos desenhar!?
Uma reta se inicia no ponto, o ponto representa uma dimensão, com dois pontos traçamos uma reta, com três pontos temos um plano, um triângulo. Olha a Matemática aí gente!
Na metáfora da vela acesa, Heráclito diz que quando acendemos uma vela e ela começa a queimar, temos a impressão de que ela é sempre a mesma vela. Mas, tudo o que estamos vendo ali diante nós, a vela queimando, é um processo contínuo de transformação:
A cera vira fogo, o fogo vira fumaça, e a fumaça se dissipa e vira ar. Tudo está em mudança contínua. Esse é o eterno fluxo de Heráclito. A única coisa que é permanente é essa mudança contínua, o devir, que significa transformação. E ele tem razão! - ou Não?
O universo está em constante movimento, em constante devir. Um devir que é impulsionado por forças contrárias que encontramos na vida: dia e noite, nascer e morrer, ser jovem e ser idoso, o bem e o mal, o bonito e o feio, e etc.
A ordem dos contrários exerce o poder da harmonia no universo, num eterno devir. É um lei de justiça, "Justiça Suprema", afirma o filósofo Heráclito. Pode-se dizer um jogo, o jogo da vida, que nós pouco, e em alguns casos, nenhum controle temos sobre ele.
E Heráclito concebe o FOGO como princípio eterno da mudança e DEUS como a harmonia dos contrários. Em termos científicos, o pensamento de Heráclito é atual. O pensamento dele dá base ao materialismo, enfatiza a dinâmica da matéria, que é comprovada.
E Heráclito concebe o FOGO como princípio eterno da mudança e DEUS como a harmonia dos contrários. Em termos científicos, o pensamento de Heráclito é atual. O pensamento dele dá base ao materialismo, enfatiza a dinâmica da matéria, que é comprovada.
Parmênides, não satisfeito com o sistema filosófico de Heráclito, fez oposição a ele. - Nan-nanim-nanão! As aparências, Heráclito, nos enganam, elas fazem parte do Não-SER. Isso mesmo gente, o Não-SER, aquilo que não é. Agora complicou? - Calma, tenha calma, logo você vai entender.
“O Ser é, e o Não-Ser não é”, configura o pensamento de Parmênides. E para entendermos tudo isso é preciso primeiro saber o significado de Ser para o filósofo Parmênides.
Então vamos lá... quando afirmamos algo sobre alguma coisa estamos conferindo predicativo, isto é, afirmamos qualidade a uma coisa ou pessoa, ou estamos atestando que coisa ou pessoa existe. Por exemplo: Marcos é professor, aquela flor é vermelha – isso é qualidade. Agora, quando afirmo "o Marcos é", "a flor é" - isso é existência, a coisa é. É esse sentido o Ser do filósofo Parmênides, o Ser é tudo que pode ser pensado, que pode ser conhecido. Daí, o Ser é Uno, é único, é também indivisível, e imutável, porque se mudasse deixaria de ser o que é. Quer um exemplo? - nossas impressões digitais são únicas em cada indivíduo, e perduram do nascimento até o fim da vida. Afirmarm Unicidade e Imutabilidade do Ser.
Essas ideias podem parecer um pouco confusas, eu sei. "Tudo muda. Nada muda", e aí como fica? Tudo é Fluxo ou Tudo é Fixo?
A verdade é que ainda não sabemos, não descobrimos tudo, há muitos mistérios. Mas, uma coisa é certa, precisamos estar atentos, deixar de ser mal acostumados em crer que o que é real é somente o que se vê, o que se ouve, o que se pode cheirar ou tocar, ou degustar, enfim, precisamos ser capazes, sempre, de transcender, ir além dos nossos sentidos. Mas, sem perder de vista que este mesmo mundo dos sentidos é o mundo em que as mudanças acontecem o tempo todo, e todo o tempo, e o mais importante, as mudança nos afetam.
Acontece que Parmênides nega a mudança, o devir de Heráclito. Ele diz que tudo isso, a mudança é uma ilusão das aparências (é o Não-Ser, o oposto do Ser), é um engano da nossa percepção que tem origem nos sentidos. Sim, caros estudantes, o filósofo Parmênides considera o conhecimento sensível inferior. Pois, o Ser, o verdadeiro, só poder ser alcançado, conhecido, pelo pensamento, por nossa razão, o nosso intelecto. Os sentidos só conseguem nos levar ao Caminho da Opinião (doxa). Somente o pensar, o intelecto, pode levar-nos ao Caminho da Verdade (Aletheia), ao Ser.
O filósofo Parmênides, desta forma, extrapola o seu filosofar, culminando no princípio do racionalismo exagerado, pois afirma que “a mesma coisa é pensar e ser”. Isso mesmo, não diferencia pensar e ser.
Para ele, a natureza é composta de duas qualidades, o positivo e o negativo. Ele definia, por exemplo, que a escuridão nada mais era que a negação da luz, diferente do filósofo Heráclito que considerava um a alternância do outro, assim como bem e mal, dia e noite, quente e frio, bonito e feio, etc.
Mas, pense um pouco, Parmênides, que não era nenhum bobo, também considerava a mudança, porém, via a mudança, o Vir-a-Ser, apenas como uma mistura do Ser e o Não-Ser. Sim, o Vir-a-Ser como mistura daquilo que é verdadeiro(aletheia) com aquilo que é ilusão(doxa).
Mistura gente! O Vir-a-Ser é como muita "mágica" por aí. Verdade e ilusão juntas. Se é que me entendem!
O filósofo Parmênides afirma que são as percepções dos nossos sentidos (que falham) que criam essas ilusões. Vamos desenhar novamente? Vou relacionar o sistema de Parmênides, essa relação Ser e Não-Ser, o Vir-a-Ser, com algo que acontece muito na vida:
"um casal que declara amor até o fim, faz votos de compromisso, e tudo e tal...casam-se,
de um momento para outro surge o conflito, a comunicação não funciona mais.
O conflito cresce, a raiva aparece, e a separação quase acontece.
Mas, num belo dia, um dos dois resolve pensar e refletindo procura o outro e,
no encontro a comunicação se restabelece,
o conflito se separa da raiva, e o casal permanece."
É... essa uma história de muitos por aí. Mas, o que nos interessa é que nela pode-se perceber "O Ser e Não-SER, e a relação entre Verdade e Ilusão, o Vir-a-Ser, de Parmênides." - Essa tarefa eu deixo para você. Identifique o Ser, e o Não-Ser, e também o Vir-a-Ser, nessa situação hipotética.
Então vamos lá... quando afirmamos algo sobre alguma coisa estamos conferindo predicativo, isto é, afirmamos qualidade a uma coisa ou pessoa, ou estamos atestando que coisa ou pessoa existe. Por exemplo: Marcos é professor, aquela flor é vermelha – isso é qualidade. Agora, quando afirmo "o Marcos é", "a flor é" - isso é existência, a coisa é. É esse sentido o Ser do filósofo Parmênides, o Ser é tudo que pode ser pensado, que pode ser conhecido. Daí, o Ser é Uno, é único, é também indivisível, e imutável, porque se mudasse deixaria de ser o que é. Quer um exemplo? - nossas impressões digitais são únicas em cada indivíduo, e perduram do nascimento até o fim da vida. Afirmarm Unicidade e Imutabilidade do Ser.
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Essas ideias podem parecer um pouco confusas, eu sei. "Tudo muda. Nada muda", e aí como fica? Tudo é Fluxo ou Tudo é Fixo?
A verdade é que ainda não sabemos, não descobrimos tudo, há muitos mistérios. Mas, uma coisa é certa, precisamos estar atentos, deixar de ser mal acostumados em crer que o que é real é somente o que se vê, o que se ouve, o que se pode cheirar ou tocar, ou degustar, enfim, precisamos ser capazes, sempre, de transcender, ir além dos nossos sentidos. Mas, sem perder de vista que este mesmo mundo dos sentidos é o mundo em que as mudanças acontecem o tempo todo, e todo o tempo, e o mais importante, as mudança nos afetam.
Acontece que Parmênides nega a mudança, o devir de Heráclito. Ele diz que tudo isso, a mudança é uma ilusão das aparências (é o Não-Ser, o oposto do Ser), é um engano da nossa percepção que tem origem nos sentidos. Sim, caros estudantes, o filósofo Parmênides considera o conhecimento sensível inferior. Pois, o Ser, o verdadeiro, só poder ser alcançado, conhecido, pelo pensamento, por nossa razão, o nosso intelecto. Os sentidos só conseguem nos levar ao Caminho da Opinião (doxa). Somente o pensar, o intelecto, pode levar-nos ao Caminho da Verdade (Aletheia), ao Ser.
O filósofo Parmênides, desta forma, extrapola o seu filosofar, culminando no princípio do racionalismo exagerado, pois afirma que “a mesma coisa é pensar e ser”. Isso mesmo, não diferencia pensar e ser.
Para ele, a natureza é composta de duas qualidades, o positivo e o negativo. Ele definia, por exemplo, que a escuridão nada mais era que a negação da luz, diferente do filósofo Heráclito que considerava um a alternância do outro, assim como bem e mal, dia e noite, quente e frio, bonito e feio, etc.
Mas, pense um pouco, Parmênides, que não era nenhum bobo, também considerava a mudança, porém, via a mudança, o Vir-a-Ser, apenas como uma mistura do Ser e o Não-Ser. Sim, o Vir-a-Ser como mistura daquilo que é verdadeiro(aletheia) com aquilo que é ilusão(doxa).
Mistura gente! O Vir-a-Ser é como muita "mágica" por aí. Verdade e ilusão juntas. Se é que me entendem!
O filósofo Parmênides afirma que são as percepções dos nossos sentidos (que falham) que criam essas ilusões. Vamos desenhar novamente? Vou relacionar o sistema de Parmênides, essa relação Ser e Não-Ser, o Vir-a-Ser, com algo que acontece muito na vida:
"um casal que declara amor até o fim, faz votos de compromisso, e tudo e tal...casam-se,
de um momento para outro surge o conflito, a comunicação não funciona mais.
O conflito cresce, a raiva aparece, e a separação quase acontece.
Mas, num belo dia, um dos dois resolve pensar e refletindo procura o outro e,
no encontro a comunicação se restabelece,
o conflito se separa da raiva, e o casal permanece."
É... essa uma história de muitos por aí. Mas, o que nos interessa é que nela pode-se perceber "O Ser e Não-SER, e a relação entre Verdade e Ilusão, o Vir-a-Ser, de Parmênides." - Essa tarefa eu deixo para você. Identifique o Ser, e o Não-Ser, e também o Vir-a-Ser, nessa situação hipotética.
Muita informação caros estudantes? Mas, fiquem atentos: perceberam que agora os filósofos conduziram o questionamento para outro caminho? - Do que é feito o mundo? para O que é o mundo?.
Estudantes são guerreiros. Guerreiros que precisam lutar e vencer os obstáculos e desafios do conhecimento. E o bom combate leva ao saber.
Estudantes são guerreiros. Guerreiros que precisam lutar e vencer os obstáculos e desafios do conhecimento. E o bom combate leva ao saber.



































